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24/11/2008

Como era bom ser garoto…

Minha Aldeia

No último fim de semana arranjei um tempo para ler Minha aldeia, novo livro do meu colega e orientador Luís Augusto Fischer (R$ 15,00, o livro está sendo lançado por uma editora nova, de Caxias do Sul, a Belas Letras). O texto é claramente voltado para jovens de 12, 13 anos, mas fiquei com uma sensação esquisita, que já senti outras vezes. É assim uma espécie de dor por não ter lido isso antes. Ter lido esse texto antes seria impossível, porque o livro foi lançado agora. Mas a idéia é justamente essa.

Explico: eu tinha uns 22 anos quando li pela primeira vez O Apanhador no Campo de Centeio, do J. D. Salinger. Gostei muito, mas fiquei com a mesma sensação: devia ter lido esse texto antes. Quando comecei a dar aulas para 5ª e 6ª séries, li alguns textos que nunca havia lido: As aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, e O Mágico de Oz, do Lyman Frank Baum, por exemplo. Li porque queria trabalhar esses textos com os alunos. Era meu primeiro emprego numa grande escola de Porto Alegre, salário bastante atraente, ótima estrutura de trabalho, enfim, uma chance muito boa. E eu preferia trabalhar com textos que não fossem adaptações de obras clássicas. Não que eu seja totalmente contra adaptações. Já fui mais radical com relação a isso, mas hoje não tanto. Só continuo achando que há livros destinados a todas as idades e que não tem muito sentido trabalhar a Odisséia adaptada se os alunos não leram ainda O Médico e o Monstro, que pode ser lido tranqüilamente no original traduzido. Nisso, ganhei bastante apoio da equipe pedagógica e consegui realizar um bom trabalho.

O Apanhador eu li porque queria ler, mas, com esses outros que citei, fiquei com a mesma sensação de que devia ter lido antes, porque teria aproveitado melhor a leitura, porque teria me encantado mais, porque talvez hoje eu fosse um leitor melhor do que sou. Quando comecei a ler de maneira assídua, lá pelos 14, 15 anos, fui direto a obras consagradas da literatura adulta: Hamlet (Shakespeare), Édipo Rei (Sófocles), Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), A Ferro e Fogo (Josué Guimarães), O Continente (Érico Veríssimo)… Eu não era um autodidata ou um adolescente metido a intelectual: essas foram algumas das leituras que fiz a pedido dos professores entre a 8ª série e o 2º ano do Ensino Médio (na época, 2º Grau). Foi graças a esses professores que aprendi a gostar de ler, porque tive de ler ótimos livros. Não que minha família não nos incentivasse, a mim e a meu irmão. Dinheiro pra livros nunca faltou. Mas o gosto pela literatura veio pelas mãos dos mestres, mesmo.

No entanto, essa novela do Fischer traz mais do que uma simples sensação do tipo “devia ter lido antes”. Ela consegue captar essas emoções de aprender coisas novas, de descobrir mundos novos, que vão se perdendo à medida que ficamos adultos. O protagonista da narrativa (em 3ª pessoa) chama-se Felipe: tem 12 anos, mora numa cidade do interior chamada Conceição do Arroio e, como todo adolescente do século XXI, tem muitas perguntas, e normalmente não encontra respostas para a maioria delas. Já no primeiro capítulo, somos jogados no meio de uma aula de Geografia, com Felipe perguntando “Tá, professora, eu entendi, mas aqui não tem nada que seja maior?” Só lá pela metade desse primeiro capítulo é que vamos conhecer quem é o Felipe e por que ele faz esse tipo de perguntas. Em seguida, a família do Felipe vê-se obrigada a mudar-se para a capital, o que gera angústias e emoções variadas, afinal ele se distanciaria dos amigos, dos parentes mais próximos e da quase namorada para conhecer e viver uma cidade que, esta sim, aparecia nos mapas de Geografia e História, com todas as conseqüências de se morar numa cidade grande e nova (além dos novos amigos, do novo colégio, ter de lidar com a violência, por exemplo).

Fischer consegue conduzir a narrativa de forma leve, bem humorada, criando a tensão necessária e realista. É quase como se o texto tivesse sido escrito por um jovem de 12 anos, embora seja difícil encontrar alguém com talento para tanto nessa idade. O que quero dizer é que, se não estou enganado, não há garoto ou garota que não vá gostar dessa história. E mesmo para nós, adultos, ela ajuda a recuperar muito da inocência que se perdeu na época em que qualquer lugar podia se transformar no melhor lugar do mundo. Depois farei o teste com meu irmão que está chegando aos 10 anos e conto pra vocês…

01/04/2007

[ agora sim, morram de inveja... ]

Se eu apenas dissesse que vi o Chico Buarque pessoalmente ou que o abracei, ninguém acreditaria, especialmente nesta data. Aí está uma das provas: minha adorável esposa sorrindo ao lado do gênio, também sorrindo. A foto, claro, foi tirada por mim, em frente ao Sheraton Hotel, Porto Alegre, 01/04/2007.

26/02/2007

[ este blog não morreu ]

Depois de um tempo sem postar nada, retorno ao Blogger, que está renovado. Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu: 1) terminei minha dissertação de mestrado, agora preciso apenas revisá-la antes de encaminhar pra banca. A defesa deve ser em abril. 2) Consegui todos os cds do Wilco mais os dvds I am trying to break your heart e Sunken Treasure, este do Jeff Tweedy solo. 3) Voltei a trabalhar oficialmente hoje. 4) Um rapaz andou comentando, num post neste blog, a respeito da dificuldade de lidar com os porto-alegrenses em função do bairrismo por demais arraigado nesta província. Eu poderia dizer que concordo com quase tudo que ele escreveu, mas apesar desse gauchismo babaca incomodar tanta gente, prefiro atacá-lo de dentro, porque tenho mais argumentos dessa forma — basta ler um post mais antigo sobre o problema da Tchê Music… E este aqui também. Só é pena que o rapaz não deixou nenhum contato… 5) Aos poucos vou dando mais notícias… Por enquanto, fiquemos com uma das melhores definições já ditas sobre o teatro: Pessoas que são marcadas no processo social, vão ao teatro não para se lastimarem ou submeterem. Ali, em vez de recalcados, seus tabus são coroados e transformados em totens — Zé Celso Martinez Correa, diretor do Teatro Oficina.

04/08/2006

[ 7 motivos para um professor criar um blog ]

Este texto acerta em cheio sobre alguns dos motivos que me levaram a ter um blog novamente.

22/07/2006

[ o retorno ]

Durante alguns anos fiquei recluso dos blogs. Estava cansado, sentia que era tudo uma perda de tempo e abandonei definitivamente esse universo. Nos últimos meses, senti uma certa necessidade de voltar a escrever sem preocupações algo que me desse prazer. Além de querer expor algumas reflexões sobre livros, filmes, bandas e peças teatrais, sinto vontade de pensar a educação.

Manter um blog é uma questão de objetivos. Não faz sentido ter uma ferramenta como essa só porque está na moda ou pra agradar os amigos. Mas não vou ficar elencando os meus objetivos. Cada um que cuide dos seus.

Escrever é uma forma de se conhecer, de tentar compreender o que se pensa, de tentar organizar as idéias. Não é verdade que não escreve bem quem pensa de forma desorganizada. Então, sejam bem vindos à minha desorganização mental…