Direto do Twitter

30/10/2006

[ little miss sunshine ]

O filme do ano. Pequena Miss Sunshine ou Little Miss Sunshine. Aliás, eu diria que é a comédia da década…

29/10/2006

[ santa inês 60 anos ]


Um dos colégios onde trabalho, o Santa Inês, está comemorando 60 anos. Em sua homenagem, eu escrevi um artigo que saiu na revista do colégio e, na última quinta-feira, no caderno Petrópolis do jornal Zero Hora. Como eles fizeram uma edição no texto e cortaram um parágrafo meio inútil mesmo, resolvi postar o texto integral aqui.

Colégio Santa Inês
Há 60 anos o coração do Petrópolis
Prof. Marcelo Frizon

Saio de casa às 7h10min. A Av. Alegrete ainda está pouco movimentada. Apenas algumas poucas senhoras estacionam seus carros em frente à academia para praticar alguma atividade esportiva antes do trabalho. Caminho em direção à Av. Carazinho, que está tomada por trabalhadores descendo em direção à Nilo Peçanha ou subindo em direção à Protásio Alves. Alguns moradores estão varrendo as calçadas de suas casas. Os armazéns já estão abertos, com um cheiro de pão quentinho se misturando à fumaça dos carros. Crianças e adolescentes caminham inocentes e alegres em direção a suas escolas. A sombra das árvores corta o sol surgindo no horizonte.O que se vê, a esta hora da manhã, são pessoas que caminham desatentas ao encontro de seus destinos. Cada passo é dado com um objetivo, assim como os meus. Apesar do frio que agrava o sono que custou a ir embora, meu destino é uma sala de aula de um Colégio que está completando sessenta anos. As ruas por onde caminho transformaram-se radicalmente nesse período. Sinto que carrego em minha pasta muito mais do que provas, livros e materiais: carrego uma história que ajudo a construir.

Ao penetrar no Colégio, a agitação das conversas dos estudantes do Ensino Médio vai aumentando junto às brincadeiras das crianças do Ensino Fundamental. Essa percepção transforma-se numa sensação de vida. A cada bom dia que dou para meus colegas, observo que eles também sentem o mesmo que eu, também eles carregam uma história. Durante a oração, o calor das mãos apertadas leva embora o frio compartilhado até aquele momento. Mas a temperatura só fica agradável definitivamente quando entro na sala de aula.

Reconhecendo em cada rosto uma vontade diferente, faço minha chamada e cumprimento a turma que terá de encarar explicações e ensinamentos determinantes para sua formação. Mais do que um objetivo, estar ali diante desses adolescentes é uma necessidade. Não uma necessidade material ou financeira, mas uma necessidade física e sentimental, porque sei que aprenderei muito mais com cada um do que tudo aquilo que ensinarei.

Durante o recreio, no meio da manhã, a alegria do Colégio tem um sabor diferente. Nesse momento, sinto uma tristeza por um tempo que já passou e não é mais meu. O tempo é implacável, mas a sua passagem é fundamental. E para cada um dos jovens que está ali, na fila do bar ou no pátio ao sol, tem de ser assim. Antes de retornar para a sala de aula, vejo sempre alguma irmã contemplando os estudantes agitados com o final do recreio. É impossível sentir o que ela deve estar sentindo. Mas deve ser algo mais ou menos assim: o Colégio Santa Inês é o coração do bairro Petrópolis.

Costumam dizer que o Parque da Redenção é o coração do Bom Fim. É por ali que passeiam boa parte das famílias porto-alegrenses nos domingos de sol, apreciando as novidades do Brique e o chimarrão fumegando. Na verdade, talvez seja ali o coração da cidade.

Se é assim, se todo bairro tem seu coração, o Santa Inês é o coração do Petrópolis, pois é ali que se encontram amigos, colegas, casais de namorados, famílias inteiras. É ali que famílias se encontram em festividades mensais, sempre abertas a toda comunidade porto-alegrense. É ali que gerações já tiveram sua formação, é ali que a mãe estudou e também colocou o filho para estudar, assim como este fez com o seu filho, que é meu aluno. É ali que pulsa conhecimento, sabedoria, ensinamento. É ali que se firmam amores, amizades, relações eternas, duradouras, sinceras.

Ao voltar pra casa, no final da manhã, descendo desta vez a Av. Ijuí, tenho certeza de que é assim. Ou é como escreveu Vitor Ramil, no fundo, isso tudo é apenas o que meu olho inventa. “No tabuleiro rigoroso dessas ruas e na arquitetura minuciosa desses prédios a vida contemporânea explode em sua diversidade”.

Parabéns, Santa Inês!

03/10/2006

[ maria bacana ]


Gostar de uma banda pouco conhecida é um problema gravíssimo. Aliás, gostar de um autor pouco conhecido também é, mas por mais desconhecido que seja esse autor ainda é mais fácil encontrar informações sobre ele e sua obra do que encontrar informações sobre uma banda pouco conhecida. Pelo menos é a minha sensação.

Eis que, navegando um pouquinho pela rede, acabo de encontrar o site da Maria Bacana, uma banda baiana que surgiu na segunda metade da década de 90. Eles fizeram um relativo sucesso na época, com clipe na MTV e cd lançado pelo selo RockIt!, do Dado Villa-Lobos. Fizeram alguns shows importantes, mas pouco tempo depois estavam desaparecidos. Pelo menos pra mim, que moro aqui na distante província de Porto Alegre, capital do ainda mais distante estado do Rio Grande do Sul.

O que importa é que a Maria Bacana andou separada por algum tempo e agora esses baianos estão retomando as atividades. Pra quem não conhece os caras, dá pra baixar muitas músicas no site deles, tudo de graça, inclusive o cd lançado pelo RockIt!, além de clipes e outras coisinhas legais.

A Maria Bacana faz um rock pesado mas com uma melodia suave, se é que isso é possível. Eu nunca vi uma banda com tanto peso e harmonia ao mesmo tempo. Normalmente as bandas de rock pesado não conseguem ser melódicas sem fazer aqueles vocais agudíssimos, tipo Angra, que eu acho uma droga. Mas felizmente existe a Maria Bacana e ela está de volta.

E agora vamos combinar o seguinte: todo mundo baixa o som deles, assiste aos seus clipes e começa a divulgar a banda, porque eles não podem mais retornar ao ostracismo. Mais do que isso: pelo que entendi, eles estão precisando de uma gravadora e de alguém que invista no seu potencial. Certamente essa pessoa vai ter lucro… Assim, quando eles vierem para Porto Alegre, estarei na primeira fila.