Direto do Twitter

29/05/2008

pelo menos isso…

STF aprova pesquisas com células-tronco embrionárias.

Por mais que a discussão tenha sido estúpida, como bem observou o Marcelo Leite, por mais que não seja um super avanço, pelo menos não é um retrocesso…

Como diria um grande professor meu, Deus não existe. Você pode acreditar nele, mas ele não existe. E se existisse, provavelmente concordaria com a decisão. Religião e ciência são duas coisas distintas. Cada uma devia cuidar da sua área. Quer dizer, os religiosos deveriam se dar conta da sua posição… Ou então, os cientistas deveriam começar a questionar as burrices da Igreja de maneira mais agressiva, da mesma maneira como ela faz com a ciência.

28/05/2008

lula vai me assaltar de novo…

Essa semana fui assaltado. Nada grave, o cara estava nervoso, com pressa e só queria dinheiro. Dei o que tinha no bolso, R$ 10,00. Na carteira tinha mais alguma coisa, mas tive a sorte de não ser pressionado a tirá-la da pasta.

Mas o pior é não ser assaltado concretamente, fisicamente. Enquanto o PT era oposição, defendia o fim da CPMF. Graças à atual oposição (que era governo antes), ela acabou. Mas agora o Lula diz que precisa de mais dinheiro, que o dinheiro arrecadado com impostos no Brasil não é suficiente pra melhorar a saúde, e que por isso precisa de um imposto novo.

O pior desse assalto é que a maior parte do povo não sabe exatamente quanto está sendo roubado. Nos EUA, todos os produtos têm o seu valor apresentado na etiqueta, acompanhado do imposto e do valor final, ou seja, a soma dos dois. Só pra dar uma idéia, dos cerca de R$ 2,50 cobrados por litro de gasolina aqui no Brasil, por volta de R$ 1,20 é imposto. Eu gastaria em torno de R$ 65,00 pra encher o tanque do meu carro, ao invés de R$ 120,00… Mas isso não está na vitrine dos postos de gasolina. E agora, o assalto voltará a acontecer diretamente na minha conta bancária.

Pode ser muito ofensivo chamar o presidente da república de ladrão ou assaltante. Talvez eu até pudesse ser preso por isso. Mas eu retiro prontamente esse post do ar se esse novo imposto, que certamente será aprovado, realmente solucionar os problemas da saúde pública no Brasil. Duvido que isso aconteça. Eu já disse que se a antiga CPMF tivesse sido destinada para a saúde, como era a intenção inicial lá no governo FHC, ninguém precisaria de plano de saúde privado. Acho que, no fundo, o Lula está precisando nos roubar novamente pra pagar as suas dívidas com seus amigos mensaleiros que se sentiram injustiçados pela imagem negativa criada pela imprensa.

Mas a pergunta que não quer calar é: se o Lula já disse que a saúde no Brasil funciona, por que então ele tem um plano de saúde privado?

15/05/2008

A corrupção da ideologia: PT e PSDB juntos!

Se há algum tempo os intelectuais já vinham comentando que os limites entre direita e esquerda andavam muito próximos, agora está comprovado: PT-MG aprova aliança com tucanos na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte.

Há algum tempo, o jornalista Reinaldo Azevedo escreveu talvez o seu único texto inteligente, que foi publicado na falecida revista Primeira Leitura, que era financiada pelo PSDB. Na época, enviei o texto para um grupo de amigos de esquerda, que ficaram furiosos comigo… hehehe… Uma disse que se recusava a ler só porque a revista era do PSDB e repudiava a minha atitude de ter enviado o link. Ou seja, humor, pra ela, tem ideologia. Talvez ela tenha razão. E talvez o maior problema da esquerda no Brasil seja justamente a falta de humor. Hoje percebo isso, porque abandonei totalmente minhas utopias político-partidárias. Outro dia uma criatura também ficou indignada comigo porque eu disse que anularia meu voto nas próximas eleições. Ora, isso é parte de um posicionamento político. Não é uma atitude alienada. Pelo contrário.

Nas eleições de 1994, Olívio Dutra (PT) e Antonio Brito (na época, PMDB) disputavam o segundo turno das eleições pra governador do Rio Grande do Sul. Meu pai continua acreditando no PT, e naquele momento sua paixão pelo partido nos influenciava fortemente, a mim e meu irmão. Um dia, fazendo campanha pro Olívio (numa época em que militantes não precisavam ser pagos pra fazer bandeiraços, e todos achavam essa atitude positiva), meu pai e meu irmão foram barrados na Av. D. Pedro II, em Porto Alegre, onde ficava o diretório do PMDB. Barrados talvez não seja o melhor termo. O carro da família foi obrigado a parar, porque portavam bandeiras do PT. Mas quem barrou era o povo do PMDB, não a polícia, que não barraria, afinal não se estava provocando ninguém, não se estava ofendendo ninguém e nem era o dia da eleição. Discussão, bate-boca, confusão, etc, tudo comandado pelo sr. Nelson Proença (hoje deputado federal pelo PPS), que conhecia meu pai. Eis que, de repente, surge uma bomba de gás lacrimogêneo que é jogada dentro do carro! Meu irmão tinha 13 anos (e eu sou apenas um ano mais velho que ele, ou seja, a gente nem podia votar ainda… hehehe). Meu pai arrancou o carro e assim que que tomou fôlego e se distanciou dos canalhas comandados pelo Proença, conseguiu pegar a bomba e jogá-la fora. Mas a pele, os olhos, e a respiração dos dois sofreu bastante…

Vieram para casa. Meu pai e meu irmão não conseguiam parar de chorar por causa da bomba. Não era susto, medo ou raiva, logicamente. Eu e um amigo (este já eleitor) nos juntamos ao bando e fomos atrás da Brigada Militar, que nos acompanhou até o diretório. Mais confusão que não deu em nada. Registramos a ocorrência, que guardo até hoje, como lembrança. “Lembrança de quê, mesmo?!”, podem estar você se perguntando, caro leitor. Lembrança de uma época em que o PT ainda era um partido digno, embora alguns defendam a tese de que isso nunca existiu. Eu acho que existiu. O problema é que o poder corrompe qualquer um.

Continuo socialista, só não tenho mais utopias e ideologias. Mas ainda me chamam de alienado… Depois de tudo isso… Só rindo.

Felizmente encontrei o texto do Azevedo neste link, já que a revista Primeira Leitura não existe mais, mas reproduzo-o aqui embaixo, porque vale muito. É sobre a época dos dólares na cueca… Divirtam-se! Ou não…

Cueca, Literatura e Política,
por Reinaldo Azevedo

A cueca segundo Machado de Assis, Dalton Trevisan, Graciliano Ramos, Rimbaud, Lênin e Proust, dentre outros

Marketing: A Casa das Cuecas, tradicional loja de underwear masculina, pode trocar o nome para Casa de Câmbio. Com cartão-fidelidade para petistas.

Literatura política: Em vez de Marx ou Maquiavel, os petistas podem ler os sete livros da série Capitão Cueca, publicados pela Cosac & Naify. Para os teóricos da conspiração, o mais indicado é Capitão Cueca e o Perigoso Plano Secreto do Professor Fraldinha Suja. Ótimo para candidatos a comissário do povo. Para os que se amarram num debate-boca sobre o monopólio petista da ética, pode-se recomendar Capitão Cueca e o Ataque das Privadas Falantes. E para os que querem, mas já não podem, se livrar de companhias incômodas e suas milionárias contas secretas, vai o Capitão Cueca e a Grande e Desagradável Batalha do Menino Biônico Meleca Seca.

Um Haicai:
Cueca e dinheiro,
o outono da ideologia
do vil companheiro

À moda Machado de Assis: “Foi petista por 25 anos e 100 mil dólares na cueca”.

À moda Dalton Trevisan: “PT. Cem mil. Cueca. Acabou”.

À moda concretista: “PT cueca cu PT eca peteca te peca cloaca”.

À moda Graciliano: “Parecia padecer de um desconforto moral. Eram os dólares a lhe pressionar os testículos”.

À moda Rimbaud: “Prendi os dólares na cueca, e vinte e cinco anos de rutilantes empulhações cegaram-me os olhos, mas não o raio X”.

À moda Álvaro de Campos: “Os dólares estão em mim / já não me sou / mesmo sendo o que estava destinado a ser / nunca fui senão isto: um estelionato moral / na cueca das idéias vãs”.

À moda Drummond: “Tinha um raio X no meio do caminho”.

À moda TS Eliot: “Que dólares são estes que se agarram a esta imundície pelancosa? / Filhos da mãe! Não podem dizer! Nem mesmo estimam / O mal porque conhecem não mais do que um tanto de idéias fraturadas, batidas pelo tempo / E as verdades mortas já não mais os abrigam nem consolam”.

À moda Lispector: “Guardei os dólares na cueca e senti o prazer terrível da traição. Não a traição aos meus pares, que estávamos juntos, mas a séculos de uma crença que eu sempre soube estúpida, embora apaixonante. Sentia-me ao mesmo tempo santo e vagabundo, mártir de uma causa e seu mais sujo servidor, nota a nota”.

À moda Lênin: “Não escondemos dólares na cueca, antes afrontamos os fariseus da social-democracia. Recorrer aos métodos que a hipocrisia burguesa criminaliza não é, pois, crime, mas ato de resistência e fratura revolucionária. Não há bandidos quando é a ordem burguesa que está sendo derribada. Robespierre não cortava cabeças, mas irrigava futuros com o sangue da reação. Assim faremos nós: o dólar na cueca é uma arma que temos contra os inimigos do povo. Não usá-la é fazer o jogo dos que querem deter a revolução. Usá-la é dever indeclinável de todo revolucionário”.

À moda Stálin: “Guarda e passa fogo na cambada!”.

À moda Guimarães Rosa: “Zezinho doleta tinha dívida de gratidão que não se paga jamais, seu moço, com Nhô Nobre, coisa assim lá pras bandas de outro mundo genuinamente de dentro dos cafundós da alma e por isso aceitou abrigar lá nas baixuras do homem onde a gente peca e fica sujo de tanta felicidade aquela dinheirama toda. E sentiu assim uma gostosura morna, só esfriando quando o sordado do zóio amarelo lhe apalpou as honras. Mas se calou mudo como nos confins do mundo imundo”.

À moda Rubem Fonseca: “O dinheiro lhe pesava no escroto e aquela acidez permanente ameaçando romper a barreira do esfíncter esofagiano inferior. Mastigou um comprimido de magnésia bisurada e achou engraçado que pudesse ter uma ereção numa hora como aquela, com o sangue a encher os corpos cavernosos de sua honra inútil, procurando um lugar entre notas amassadas e pentelhos hirsutos. Sentiu, sem saber por quê, vontade de matar anões”.

À moda Jô Soares: “Eu não uso cueca”.

À moda Proust: “Acomodou os dólares na cueca e atentou para o elástico frouxo e a trama do tecido já interrompida pela ação do tempo. O sol invadia pela janela o quarto de um hotel perdido no centro velho da cidade, e a trajetória de seu raio sofria um ligeiro deslocamento ao passar através de uma das abas da janela que se projetava, antiga, para fora, sobre uma cidade cinza, porém viva. Àquela hora, ruidosos, apressados e alegres, rapazes e moças do povo seguiam para o trabalho espiados por uma algaravia de estilos que pendia dos prédios, cujos capitéis e acantos da antiga elite cafeeira, já tomados pela fuligem, deitavam sua sombra sobre aquela massa humana, tão mais viva quanto mais disforme em suas roupas de tecido ordinário, porém com a graça eloqüente que tem a vulgaridade. Àquela hora, Odette acabara de se levantar e olhava com preguiça a macieira à frente de sua janela. Não pensava nada, pálida ainda de sono renitente. Caminharia ela também em direção à janela, olharia o quintal, estenderia mais adiante a vista, olhando os primeiros passantes do dia e diria com a força de uma sentença que nele sempre tinha o poder de um evento milagroso: “Acordei”. Passou ainda uma vez as mãos sobre o volume de notas escondido sob a cueca de elástico esbaguelado, fechou a porta e seguiu para o aeroporto. Odette tomava café”.

À moda Julio Cortázar: “Um cronópio não carrega dinheiro na cueca porque está mais para supervida do que para intervida, como um fama, que então enche os fundilhos com bolinhos de dinheiro e sai por aí dobrando esquinas e chamando para si a perícia da polícia e depois se queda quietinho, apagando a memória do celular”.

À moda Roberto Schwarz: “O dólar na cueca expõe uma das muitas faces da crise do capital, que tanto mais se expõe quanto mais aniquila as dimensões de uma visibilidade que, à medida que se impõe, explora os caminhos de sua própria inviabilidade. Seu fator estruturante elimina o espaço da subjetividade, e a cueca passa a encarnar, então, não o dinheiro como base material do valor, mas o fetiche da ilegalidade que hoje marca o capitalismo. O indivíduo-indivíduo se torna um indivíduo-cueca à medida que agasalha, como metáfora e metonímia, a moeda que traduz um ponto de trajetória do domínio do império”.

À moda Emir Sader: “É tudo culpa do Fernando Henrique e do Ariel Sharon”.

À moda Marilena Chauí: “A cueca de Espinosa Merleau-Ponty”.

À moda Renato Janine Ribeiro: “Uma cueca cheia de dólares é sempre mais que uma cueca cheia de dólares. Uma cueca cheia de dólares apela às culpas que cada um de nós carrega dentro de si e quer ver espiadas por meio da ação de um partido ético, que só pode ser o PT, embora eu não seja filiado ao partido. Reparem que duas crises se cruzam neste evento como emblemas: ao mesmo tempo em que o símbolo do império escancara o seu poder de chantagem, sabemos que o dinheiro foi flagrado na cueca, expressão de uma intimidade masculina que vem à luz, como se o homem contemporâneo buscasse ser outra coisa e desse um grito de socorro, mais feminino, mais humano, mais aberto, mais gentil”.

Agosto de 2005

Pergunta pertinente II

Já fiz essa pergunta uma vez, mas nunca me canso: desde quando isso é arte?

Link original.

13/05/2008

novo tema

Pois então, este é o meu primeiro tema para WordPress e o novo tema deste blog. Espero que gostem. Ainda estou resolvendo pequenos problemas. Se você encontrar algo errado, por favor, entre em contato para avisar. Ficarei muito agradecido.

PS: Aos usuários do WordPress: em breve disponibilizarei temas gratuitos que estou construindo… Aguardem!