Direto do Twitter

30/11/2008

Muitas capitus…

Elisa LucasHá duas semanas, fui assistir ao espetáculo Confesso que capitu, da minha amiga Elisa Lucas. Trata-se de um monólogo, dirigido pelo Roberto Birindelli, escrito pela própria Elisa, que interpreta a personagem mais misteriosa da Literatura Brasileira: Capitu, do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis.

Devo confessar que uma adaptação desse tipo normalmente me deixa apreensivo. É difícil transpor para o palco uma adaptação inteligente de um livro tão importante e fascinante. Mas Elisa consegue superar essa dificuldade muito bem. Na realidade, ela não interpreta Capitu do início ao fim: a peça traça um paralelo entre a personagem e uma moça que descobre a personagem. Com engenho, Elisa encarna as várias facetas dessa mulher sedutora, infeliz, que detona o conflito psicológico do pobre Bento Santiago.

Quem não assistiu ao espetáculo, tem a oportunidade de conferi-lo nesta semana. A peça de Elisa está dentro da programação do VII Fórum de Literatura Brasileira e II Fórum de Literatura Portuguesa e Luso-Africanas, que ocorre de terça a quinta, no Centro Municipal de Cultura Lupicínio Rodrigues (Érico Veríssimo esquina com Ipiranga) e na Escola Técnica da UFRGS (Ramiro Barcellos esquina com Ipiranga). As apresentações da peça serão na Sala Álvaro Moreyra (no Centro Municipal de Cultura), às 21h de terça e quinta, dias 02 e 04 de dezembro. Para os participantes do Fórum, haverá desconto especial (mas confesso que agora não sei os valores exatos…).

E na semana que vem, estréia na Globo a minissérie Capitu, também baseada em Dom Casmurro. Dirigida por Luiz Fernando Carvalho, a narrativa terá uma linguagem não-realista, que está se tornando a marca do diretor (vide Hoje é Dia de Maria e A Pedra do Reino), e faz parte do projeto Quadrante, que ainda adaptará Dois Irmãos, de Milton Hatoum, e Dançar Tango em Porto Alegre, de Sergio Faraco.

Michel Melamed como BentinhoNormalmente, Carvalho é muito feliz nessas suas aventuras que misturam literatura, cinema e artes visuais. Vamos aguardar o dia 09/12 pra ter certeza de que a coisa é tão boa quanto parece. Pelo menos, acho que numa coisa ele já certou: Michel Melamed vivendo o Bentinho adulto. (Já a Maria Fernanda Candido interpretando a Capitu adulta me parece um tiro no pé. Ela já viveu uma Capitu naquele filme Dom, uma das maiores porcarias do cinema nacional. Apesar disso, acho que o Carvalho é um diretor muito mais inteligente do que o Moacyr Góes e deve ter aproveitado o que ela tem de bom. Veremos.)

24/11/2008

Como era bom ser garoto…

Minha Aldeia

No último fim de semana arranjei um tempo para ler Minha aldeia, novo livro do meu colega e orientador Luís Augusto Fischer (R$ 15,00, o livro está sendo lançado por uma editora nova, de Caxias do Sul, a Belas Letras). O texto é claramente voltado para jovens de 12, 13 anos, mas fiquei com uma sensação esquisita, que já senti outras vezes. É assim uma espécie de dor por não ter lido isso antes. Ter lido esse texto antes seria impossível, porque o livro foi lançado agora. Mas a idéia é justamente essa.

Explico: eu tinha uns 22 anos quando li pela primeira vez O Apanhador no Campo de Centeio, do J. D. Salinger. Gostei muito, mas fiquei com a mesma sensação: devia ter lido esse texto antes. Quando comecei a dar aulas para 5ª e 6ª séries, li alguns textos que nunca havia lido: As aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, e O Mágico de Oz, do Lyman Frank Baum, por exemplo. Li porque queria trabalhar esses textos com os alunos. Era meu primeiro emprego numa grande escola de Porto Alegre, salário bastante atraente, ótima estrutura de trabalho, enfim, uma chance muito boa. E eu preferia trabalhar com textos que não fossem adaptações de obras clássicas. Não que eu seja totalmente contra adaptações. Já fui mais radical com relação a isso, mas hoje não tanto. Só continuo achando que há livros destinados a todas as idades e que não tem muito sentido trabalhar a Odisséia adaptada se os alunos não leram ainda O Médico e o Monstro, que pode ser lido tranqüilamente no original traduzido. Nisso, ganhei bastante apoio da equipe pedagógica e consegui realizar um bom trabalho.

O Apanhador eu li porque queria ler, mas, com esses outros que citei, fiquei com a mesma sensação de que devia ter lido antes, porque teria aproveitado melhor a leitura, porque teria me encantado mais, porque talvez hoje eu fosse um leitor melhor do que sou. Quando comecei a ler de maneira assídua, lá pelos 14, 15 anos, fui direto a obras consagradas da literatura adulta: Hamlet (Shakespeare), Édipo Rei (Sófocles), Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), A Ferro e Fogo (Josué Guimarães), O Continente (Érico Veríssimo)… Eu não era um autodidata ou um adolescente metido a intelectual: essas foram algumas das leituras que fiz a pedido dos professores entre a 8ª série e o 2º ano do Ensino Médio (na época, 2º Grau). Foi graças a esses professores que aprendi a gostar de ler, porque tive de ler ótimos livros. Não que minha família não nos incentivasse, a mim e a meu irmão. Dinheiro pra livros nunca faltou. Mas o gosto pela literatura veio pelas mãos dos mestres, mesmo.

No entanto, essa novela do Fischer traz mais do que uma simples sensação do tipo “devia ter lido antes”. Ela consegue captar essas emoções de aprender coisas novas, de descobrir mundos novos, que vão se perdendo à medida que ficamos adultos. O protagonista da narrativa (em 3ª pessoa) chama-se Felipe: tem 12 anos, mora numa cidade do interior chamada Conceição do Arroio e, como todo adolescente do século XXI, tem muitas perguntas, e normalmente não encontra respostas para a maioria delas. Já no primeiro capítulo, somos jogados no meio de uma aula de Geografia, com Felipe perguntando “Tá, professora, eu entendi, mas aqui não tem nada que seja maior?” Só lá pela metade desse primeiro capítulo é que vamos conhecer quem é o Felipe e por que ele faz esse tipo de perguntas. Em seguida, a família do Felipe vê-se obrigada a mudar-se para a capital, o que gera angústias e emoções variadas, afinal ele se distanciaria dos amigos, dos parentes mais próximos e da quase namorada para conhecer e viver uma cidade que, esta sim, aparecia nos mapas de Geografia e História, com todas as conseqüências de se morar numa cidade grande e nova (além dos novos amigos, do novo colégio, ter de lidar com a violência, por exemplo).

Fischer consegue conduzir a narrativa de forma leve, bem humorada, criando a tensão necessária e realista. É quase como se o texto tivesse sido escrito por um jovem de 12 anos, embora seja difícil encontrar alguém com talento para tanto nessa idade. O que quero dizer é que, se não estou enganado, não há garoto ou garota que não vá gostar dessa história. E mesmo para nós, adultos, ela ajuda a recuperar muito da inocência que se perdeu na época em que qualquer lugar podia se transformar no melhor lugar do mundo. Depois farei o teste com meu irmão que está chegando aos 10 anos e conto pra vocês…

16/11/2008

Foi ótimo ter estado com vocês…

Bem, o show d’Os Galãs da Menopausa na BlowUp foi espetacular. Há anos eu não me apresentava e não imaginava como tudo aconteceria. O Claus achou que foi o melhor show da banda. Acho que foi mesmo. Certamente foi o melhor palco, o melhor repertório, o melhor público… Aliás, o público deixou a banda toda muito emocionada. Foi ótimo ver vários amigos e alunos dançando e pulando ao som das nossas músicas. Senti que o pessoal estava gostando tanto que nem conseguiu perceber quais eram as nossas canções e quais eram covers.

(Uma moça veio até o palco antes do início do show pra contar que ela e o marido tinham se conhecido no Ocidente há exatamente dois anos. Ela parecia ter achado bacana o fato de que a banda estava comemorando dez anos do lançamento da primeira fita-demo. Eu queria ter homenageado o casal, mas não consegui racionalizar essa informação durante o show, então fica aqui minha singela homenagem ao casal.)

E pra quem quiser um cd com os novos hits d’Os Galãs, é só entrar em contato para fecharmos negócio. O cd vem acompanhado de um belo encarte e, para os fãs mais exaltados, podemos autografá-lo registrando toda nossa emoção.

Foi ótimo ter estado com vocês. Muito obrigado a todos pela presença no show!

13/11/2008

Site de cara nova

Atualizei totalmente o site d’Os Galãs da Menopausa. Arrumei alguns textos que continham informações confusas e equivocadas, incluí as novas canções para download, recém saídas do forno, novas fotos apresentando o Cereja (Alexandre Garcez, ou Alexandre Turnurinha, enquanto Galã), novo baterista da banda. Enfim, o site ficou bem bacana, eu acho.

Gostaria de registrar que teremos cds à venda no dia do show por um preço estupidamente irrisório. Caso você não tenha paciência pra downloads, guarde um troquinho pra sábado. Além do quê, o cd virá com capinha…

Não sabe quando é o show? Quanto? Onde? Por quê? Não entendeu nada do que estou falando? Confere tudo aí embaixo, nos post anterior.

10/11/2008

Informações sobre o show

A BlowUP é uma festa tradicional da noite porto-alegrense. A festa ocorre uma vez por mês, sempre com uma temática especial, e sempre com Zbigga, GrimmBoy, Claus Pupp e BarthGirl colocando o povo pra dançar no Ocidente, ali na João Telles quase esquina com a Osvaldo Aranha. Se você quer ter certeza de que a festa vale a pena, pode acessar o Fotolog pra conferir os agitos das edições anteriores.

Na próxima edição, que ocorre dia 15/11/08, próximo sábado, Elvis Presley é o homenageado. E além do time titular de djs, esta edição contará com a participação especialíssima de Jimi Joe, músico, jornalista e lenda viva do rock gaúcho.

Pra fechar com chave de ouro, você ainda terá o show d’Os Galãs da Menopausa, a minha antiga banda. É bom deixar claro que esse show não é um show de retorno. Estamos apenas comemorando os 10 anos de lançamento da nossa primeira fita-demo, intitulada Vamos dançar?, que circulou numa época em que a internet ainda era discada e não havia outra forma de uma banda ser conhecida além de gravar fitas-demo ou tocar no rádio. Se você não assistir a esse show, perderá a única oportunidade de (re)ver os Galãs, a não ser que algum mega empresário do ramo musical resolva nos bancar oferecendo um contrato milionário… Portanto, agilize-se! Os ingressos pra BlowUp estão sendo vendidos a R$ 15,00 na loja Pandora (no Shopping Total – no cartaz aí embaixo dizia que eram outras lojas que estavam vendendo; não são aquelas, é na Pandora! Já atualizei o post). Na hora, estarão custando R$ 18,00, sempre valendo uma cerveja. E ainda vai ter rodada livre de whisky! Enfim, uma festa imperdível!

Marcelo Frizon, Claus Pupp e Alexandre Garcez

Marcelo Frizon, Claus Pupp e Alexandre Garcez