01/01/2011

Jogo extra-oficial do Gauchão de Literatura

Há alguns meses, me envolvi numa polêmica num jogo do Gauchão de Literatura. Prometi à autora com quem discuti que leria seu livro e o resenharia. Acabei não fazendo isso, embora tenha lido o livro, porque não teria muito a dizer, afinal o livro é muito ruim. Mas essa semana, no evento que ocorreu no Studio Clio para comemorar a final do Gauchão, o Rodrigo Rosp me presenteou com seu livro Fora do Lugar. Então, achei que valia a pena escrever uma partida extra-oficial do Gauchão de Literatura envolvendo este livro e o Flores da Cor da Terra, de Lívia Petry, a tal autora com quem discuti. Então vamos ao jogo:

Jogo Extra Oficial: Fora do Lugar X Flores da Cor da Terra

Pelo juiz Marcelo Frizon

Fora do lugar,
de Rodrigo Rosp (Não Editora / 2009)
x
Flores da Cor da Terra,
de Lívia Petry (Nova Prova / 2009)

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TIME 1: Fora do Lugar, de Rodrigo Rosp

UNIFORME: Como todos os livros da Não editora, Fora do Lugar tem uma edição muito bem cuidada. A foto que ilustra a capa é provocativa: uma poltrona vermelha no meio de uma estrada deserta. A capa está em perfeita harmonia com o título e parece indicar com perfeição o conteúdo do livro. Digo “parece” pensando naqueles que ainda não leram o livro. Eu, que já o li, posso confirmar: a capa é uma tradução da literatura de Rosp. Samir Machado de Machado sabe captar perfeitamente a ideia de cada autor para sua obra e criar capas inteligentes, elegantes e provocativas, como esta.

ESQUEMA DE JOGO: Estamos diante de treze contos curtos. Alguns bem curtos, alguns um pouco mais longos, mas todos juntos formam uma unidade bem acabada. Pode incomodar um pouco o excesso de comentários elogiosos que acompanham o livro: Claudia Tajes assina um comentário na contracapa, Ricardo Silvestrin ficou responsável pela orelha e Rafael Bán Jacobsen nos apresenta um ensaio sobre os contos num belo prefácio. No entanto, o aval desses três escritores serve para termos certeza de que não estamos diante de um novo autor que não merece atenção.

GOL DE PLACA: As várias narrativas em primeira pessoa são muito bem construídas. Para um autor, como Rosp, que trabalha com o nonsense, o absurdo, o fantástico, escrever uma narrativa em primeira pessoa parece-me algo extremamente difícil. Pode ser apenas a impressão de um leitor com suas próprias ambições literárias (eu, no caso) que sabe reconhecer seus limites na construção de um texto aparentemente simples, mas que trabalha com elementos extremamente complexos.

BOLA FORA: O conto “Linguista” é uma brincadeira com a gramática da língua portuguesa: dois linguistas se conhecem, se apaixonam e, a partir daí, acompanhamos as consequências trágicas do relacionamento. O problema é que o autor abusa de construções fáceis, por exemplo: “O corpo e a mente de Diana desapareciam, e tudo se resumia à sua língua. Não existia sujeito, apenas objeto.” E temos vários casos semelhantes ao longo da trama.

TIME 2: Flores da Cor da Terra, de Lívia Petry

UNIFORME: A capa de Flores da Cor da Terra é kitsch. No fundo, todo projeto gráfico do livro é kitsch. Não estou falando do detalhe retirado de um quadro de Van Gogh (que não está creditado em nenhum lugar no livro), mas da escolha das fontes na capa que reaparecem acompanhando flores em cada seção e título de conto ao longo do livro, além das flores que estão ao lado dos números das páginas e da abertura de cada parte do livro. Enfim, são muitos elementos que tiram a atenção do leitor do que é o principal: a literatura de Lívia.

ESQUEMA DE JOGO: Estamos, aqui também, diante de 23 contos curtos, a maioria curtíssimos. No entanto, não há unidade na organização dos textos. Fica-se com a impressão de que a autora selecionou todos os contos que escreveu até então, ou, no máximo, os que julgou seus melhores, e os reuniu em livro. Mesmo a divisão em três partes não ajuda na busca da unidade. Os contos exploram diversos assuntos: violência, relacionamentos, histórias de amor, miséria, morte… Além disso, como já observado acima, demora-se até tomarmos contato com os contos: temos três epígrafes relativamente longas na abertura, uma dedicatória, uma lista de agradecimentos, o índice e uma apresentação de Jane Tutikian. Só então aparece o primeiro conto.

GOL DE PLACA: Não há.

BOLA FORA: A apresentação de Tutikian nos dá a impressão de que estamos diante de uma grande autora, mas a exaltação não se confirma. No fundo, todos os contos têm suas bolas fora, mas uma constante é a precariedade na construção de personagens. Com frequência, somos jogados no meio de cenas sem que tenhamos tempo de entender por que aqueles personagens estão fazendo o que estão fazendo. Cada trama poderia ser desenvolvida em, pelo menos, mais umas dez páginas, para que o leitor pudesse compreender as motivações dos personagens, para que não ficasse com a sensação de que esquecerá do que trata cada história logo após sua leitura. Além disso, temos diversas referências (algumas claras, outras cifradas) a clássicos da literatura brasileira. Às vezes, essas referências são usadas de maneira tão óbvia que o leitor fica com a impressão de que já leu aquilo antes e de maneira muito melhor realizada. Lívia Petry ainda está buscando a sua voz, mas parece muito perdida nessa busca.

O JOGO

Os contos de abertura de cada livro dão bem a ideia do que o leitor vai encontrar ao longo das próximas páginas. O conto “Dois Irmãos”, de Flores da Cor da Terra, apresenta dois policiais que saem para caçar meninos de rua. O conto “Fora do Lugar”, que dá título do livro de Rosp, apresenta um protagonista perdido no caos de seu lar que está em busca do telefone, como ficamos sabendo ao final da leitura. São contos muito diferentes, mas ambos narrados em primeira pessoa. Mesmo assim, fica claro que falta a Lívia a consciência literária que Rosp domina. Quais as motivações dos personagens de “Dois Irmãos”? Não é possível concluir. Já o caos em que vive o personagem de “Fora do Lugar” fica completamente justificado graças ao fechamento do conto.

Podemos perceber essa diferença do domínio da escrita entre Rosp e Lívia no tratamento que dão a cenas chocantes. No conto “O Gosto da Terra Úmida”, Lívia nos apresenta a dor de uma mulher que sofre nas mãos de um homem violento. Ela engravida, mas decide abortar utilizando uma agulha de crochê. A descrição tende ao mau gosto. Rosp, por sua vez, explora com maestria os labirintos da mente de um carrasco. “Carrasco” é um dos contos mais bem construídos de seu livro. A dor das vítimas é descrita com precisão, e o leitor não consegue prosseguir na leitura da próxima história sem parar e refletir sobre o que acabou de ler.

Nos contos narrados em terceira pessoa, Lívia é mais infeliz na construção dos personagens. Se em primeira pessoa existe a possibilidade de desvendar nas palavras do narrador o que ele está sentindo, pensando, o que o provoca a tomar as atitudes que toma, em terceira pessoa não temos nenhuma pista do que está acontecendo com os personagens, como no conto “O Amor e Seus Restos”. A autora parece mais preocupada em construir uma trama lírica, poética, do que em contar uma história. Os contos de Rosp em terceira pessoa levam o nonsense a níveis mais altos, como é o caso de “Sala de Espera”, “Funeral dos Relógios” e “Maldito” (este, um conto sensacional: acompanhamos a podridão da vida de um escritor que tem uma péssima relação com seu sucesso).

Por fim, quero destacar outro ponto que difere radicalmente os dois livros: a fluência. Os textos de Rosp são bem escritos, passamos de uma palavra a outra com leveza, com facilidade, o que contrasta de maneira perspicaz com o absurdo explorado em cada trama. Já a linguagem de Lívia faz o leitor travar em vários momentos. Algumas palavras em desuso dão a impressão de que estamos lendo um texto escrito há décadas. Algumas construções são fracas (“A boca, em tons vermelhos, abriu-se num sorriso, num boas-tardes.”, do conto “Giselda”). Rosp tem menos deslizes, mas tem (“Bebeu um cigarro, fumou a garrafa inteira de cachaça.”, do já citado “Maldito”, que, mesmo com problemas como esse, ergue-se como uma ótima história). Além disso, a diferença nas revisões de cada livro é gritante: não detectei nenhum erro no livro de Rosp. Já Flores da Cor da Terra tem muitos problemas de revisão (só pra registrar um exemplo gritante: é horrível ler o sobrenome do cineasta François Truffaut escrito como “Truffault”, no conto “Jules et Jim”).

Diante de tantas diferenças, não é difícil prever o placar…

PLACAR

Fora do Lugar 4 X 0 Flores da Cor da Terra

VENCEDOR

Fora do Lugar, de Rodrigo Rosp

5 comentários em “Jogo extra-oficial do Gauchão de Literatura”

  1. Tweets that mention ::unhas::roídas | Marcelo Frizon » Blog Archive » Jogo extra-oficial do Gauchão de Literatura -- Topsy.com escreveu:

    [...] This post was mentioned on Twitter by tatitavares, Marcelo Frizon and others. Marcelo Frizon said: Obrigado, @luthome e @lpfaccioli pela divulgação do amistoso entre Fora do Lugar X Flores da Cor da Terra http://bit.ly/h1Erv8 [...]


  2. Lívia escreveu:

    Críticos costumam escrever blogs,resenhas em jornais, mas jamais escrevem livros de contos, poesias, ou o que quer que se chame literatura. Lembro de um caso quase anedótico sobre isso. Fernando Pessoa foi vilipendiado por seus pares e por inúmeros críticos da época, porque escrevia poesias diferentes, porque criou movimentos estéticos como o sensacionismo por exemplo. Na mais evidente crítica que sofreu, ele recebeu um mísero segundo lugar num concurso de poesias. O primeiro lugar ficou para um padre nacionalista e salazarista por vocação. Aqueles que julgaram Pessoa, morreram. Fernando Pessoa morreu. A poesia de Fernando Pessoa, assim como seu livro Mensagem, permanecem vivos. Todos morreremos, críticos e escritores. Só o tempo e a arte verdadeira permanecerão. Por isso, eu não acredito em críticos, pois eles já falaram mal de Pessoa, já descartaram Érico Veríssimo, já vilipendiaram Dyonélio Machado, já amesquianharam Mário Quintana. Eu acredito no único juiz confiável em termos de arte: o tempo.
    Quanto a Rodrigo Rosp: para os desinformados sugiro a leitura da Revista Arte SESC, Nº 7 de 2010, página 55 – dicas de leitura.


  3. Marcelo Frizon escreveu:

    Cara Lívia,

    Conheço a história do Pessoa, mas agradeço por compartilhá-la com o resto dos poucos leitores deste blog.

    Quanto ao papel do crítico, confesso que já pensei como você. Também achava que os críticos se colocavam num pedestal ignorando a difícil tarefa que é escrever um texto literário. No entanto, com a maturidade, percebi que o crítico não precisa se aventurar literariamente para exercer bem o seu papel. Alguns críticos fazem isso e costumam não ser bem sucedidos. Cortázar foi um dos raros exemplos que temos, na humanidade, de escritor excelente na crítica e na literatura. Mas o crítico não precisa escrever literatura. Crítico precisa ler, ler em abundância. Veja o caso de Antonio Candido, que nunca escreveu literatura e que você mesma citou na polêmica envolvendo seu livro no jogo contra a vencedora do Gauchão de Literatura, Carol Bensimon. Candido nunca escreveu literatura, mas ninguém deixa de reconhecer que sua obra é, senão a mais importante da crítica literária brasileira, a que melhor definiu e organizou uma série de problemas críticos de nossa literatura. Mas não cometeria a ousadia de me comparar a Candido. E tenho certeza que você não estava se comparando a Fernando Pessoa (até porque seria um verdadeiro e inquestionável disparate).

    Guimarães Rosa passou por problemas semelhantes aos de Pessoa. Sei que você gosta de Guimarães, por isso gostaria de lembrar um fato que talvez você conheça. Wilson Martins, um dos maiores críticos brasileiros, falecido há pouco, não gostava de Grande Sertão: Veredas. Guimarães chegou a ser acusado de não conhecer a língua portuguesa! Isso, sim, é um disparate (agora não tenho certeza se foi o Wilson Martins quem disse isso — se não me engano, não foi). No entanto, como você mesma escreveu aí, o tempo ajuda a reconhecer o valor de uma obra. O caso de Guimarães, porém, não ajuda no seu argumento. Assim como o de Erico ou Dyonélio. É que esses autores, como também Machado de Assis, recebiam críticas restritivas por parte de alguns estudiosos, mas muitos reconheciam o valor de sua obra. Todos os quatro citados foram saudados ainda em vida. E todos se tornaram unanimidades. Mas o seu livro, Lívia, tem recebido mais críticas desfavoráveis que elogiosas. Confesso que a única crítica favorável ao seu livro que li foi a do Marcelo Spalding no Gauchão. Mesmo assim, foi uma crítica com alguns poréns e que gerou muita polêmica. A meu ver, ele deu a vitória ao seu livro não porque tenha gostado dele, mas porque o considerou melhor que o outro, O Ideograma Impronunciável, do João Kowacs Castro (que não li). Mas, pra tirar a dúvida, você pode perguntar diretamente ao Spalding, que é seu amigo, não? A sensação que tenho com relação a isso, enfim, é que seu livro não resistirá ao tempo.

    Quanto a mim, confesso que estou escrevendo um romance. Espero conseguir publicá-lo ainda neste ano. Se isso ocorrer, espero contar com a sua leitura, porque sei que você, além de escrever literatura, também exerce a crítica literária.

    Pra finalizar, queria deixar registrado que não julguei seu livro por causa da discussão que tivemos no seu jogo contra Pó de parede, linkado acima. Comprei seu livro, li e não gostei. Algumas pessoas acharam que eu elogiei demais o livro do Rosp nesse jogo. O fato é que gostei do livro dele, porque tem um pouco do experimentalismo de que sinto falta na literatura brasileira. Sobre isso, fiz um comentário na final do Gauchão, ao vivo no Studio Clio. Mesmo assim, apontei minhas restrições ao livro dele. Se eu fosse escrever aqui o que realmente achei do seu livro, Lívia, aí sim você não ia gostar. De qualquer forma, algumas impressões minhas de mero leitor estão registradas no meu twitter, num diálogo com o Antonio Xerxenesky, no dia 01/01/2011.

    Quanto ao seu comentário sobre a revista Arte SESC, levei um tempo, mas achei aqui a revista para leitura online. Não sei o que pensar a respeito. O fato de você ter escrito uma micro resenha do livro do Rosp numa revista quase inacessível não altera em nada o que penso a respeito do seu livro. E também não infuencia a liberdade que tenho de escrever no meu blog uma partida amistosa, nos moldes do Gauchão de Literatura, envolvendo o seu livro e o do Rosp. E sua crítica ao livro dele não significa que você reconheça nele um escritor melhor que você ou que o livro dele é melhor que o seu (embora seja, no meu ponto de vista). Se puder explicar por que citou a revista, agradeço.

    E, por fim, realmente, obrigado pela oportunidade de debater!


  4. Lívia escreveu:

    Quanto ao Marcelo Spalding só o conheço de nome, e a crítica que ele fez ao meu livro, sob meu ponto de vista, foi bastante pertinente. Mas ao contrário do que você insinua, eu não o conheço pessoalmente. Conheço pessoalmente Carlos André Moreira que foi meu colega no Mestrado e de quem discordei no Gauchão. Como você bem pode ver, amizades não influenciaram jamais qualquer crítica contra ou a favor de meu livro. Quanto ao Rosp, conheço-o pessoalmente, fomos colegas de oficina e eu respeito o trabalho árduo dele. Achei deselegante de sua parte comparar dois livros tão díspares quanto o meu e o dele, mas respeito sua necessidade de escrever alfinetadas no seu blog. Eu jamais me comparei a Pessoa, Dyonélio, Érico ou qualquer outro escritor, não por uma questão de vaidade, mas por uma questão de VERDADE comigo mesma, pois sei muito bem que cada autor tem estilo próprio e sua trajetória pessoal na escrita. Comparo-me comigo mesma, com minha escrita de 5 anos atrás ou 10 anos atrás. Mas tomei Pessoa e Érico entre outros, como exemplo de autor que foi criticado e cuja obra permaneceu. Nesse sentido digo, que a qualidade de um escrito não está na opinião de um crítico seja você ou Cândido, a quem você cita, espero, sem ousar comparações. A qualidade de uma obra literária como disse e repito, é avalizada pelo tempo, não por críticas de blog.


  5. Marcelo Frizon escreveu:

    Diante do que você respondeu, Lívia, só me restou uma dúvida ainda: se a opinião da crítica de blog não avaliza a qualidade da obra, por que você defendeu tanto seu livro no Gauchão e por que ainda está aqui discutindo comigo?

    Quanto à crítica de blog, a meu ver, ela é o futuro da crítica. Não estou dizendo que gosto disso, só que ela me parece a saída, pelo menos, pra essa crítica jornalística, não acadêmica. Afinal, como você sabe, vários jornais ao redor do mundo tem diminuído seu espaço para a crítica literária ou, o que é pior, estão cortando sumariamente esse espaço. De qualquer forma, como disse, não me comparo a Candido (ou a qualquer outro crítico), pelo menos não porque acredito que minha crítica tenha qualidade semelhante à dele. Às vezes me comparo com outros críticos, sim, porque é assim que posso ter noção da qualidade da minha crítica. Foi isso que Machado de Assis fez com sua literatura e foi graças a isso que ele se tornou o maior escritor do Brasil. Afinal, você tem consciência de que está escrevendo numa língua e num país que têm tradição. Você não pode ignorar esse fato. Se for pra escrever por escrever, pra escrever porque teus amigos te elogiam e te estimulam a continuar, pra escrever porque você gosta, tudo bem. Mas se você quer deixar sua marca, como parece (diante do que escreveu, lembrando os percalços por que passaram alguns escritores hoje consagrados), você precisa pensar no que a crítica tem a dizer sobre sua obra, tem de se comparar com esses escritores consagrados, mas você (só você) precisa fazer isso, você precisa querer se superar e tentar superar seus antecessores. Se não conseguir, provavelmente seu livro permanecerá, porque demonstra alguma qualidade ou alguma tentativa. E pelo menos não será apenas mais um escritor como tantos por aí que estão colocando pilhas de papel que acabarão recicladas mais cedo ou mais tarde. Mas preciso te dizer, porque você não entendeu ou não quer aceitar, que não sou um blogueiro que usa um espaço virtual para lançar suas opiniões sem fundamento a quem quiser ler. Com relação à literatura, no mínimo, sei que tenho as ferramentas necessárias para criticar. Estou no meio do doutorado, já fiz mestrado em Literatura e graduação em Letras. Sei que você acabou de entrar no doutorado, por isso acredito que, pelo menos agora, depois de eu lembrar minha formação, você não vai ler minhas observações sobre seu livro como se fossem as de um adolescente.

    E com relação ao amistoso entre você e o Rosp, foi uma ideia que me veio no dia da final do Gauchão, quando o Rosp me presenteou com o livro dele. Realmente, os dois livros são muito diferentes, mas a ideia do Gauchão era justamente fazer essa mistura. Eu não ia escrever sobre o seu livro, Lívia. Sei que prometi isso na polêmica lá do jogo entre o seu livro e o Pó de Parede, mas desisti porque comecei a ler Flores da Cor da Terra e o considerei muito ruim. Não teria o que acrescentar e acabaria gerando justamente essa discussão, que não leva a lugar algum, porque você não consegue enxergar os problemas de sua obra. Eu tive de reler seu livro logo após a leitura do livro do Rosp, porque não me lembrava de nenhum dos contos. Seus contos são esquecidos facilmente após a leitura. Faça o teste com um amigo. Peça a ele que leia seu livro e o comente. Depois, espere passar um mês e peça comentários novamente. Mas, depois de passado esse mês, peça sem ter avisado que iria pedir.

    Quanto ao Spalding, peço desculpas pelo equívoco. E obrigado pelo debate.


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